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17.2.14

Rabiscos: Saudade



Hoje como todo os outros dias, acordei com  saudade. Mas quem é essa que nos acompanha todos os dias?
Saudade é filha da vontade de voltar no tempo, irmã da lembrança de um tempo bom, e tem parentesco com a tristeza.
A saudade não nos abandona nunca porque está sempre no ponteiro do relógio daquela hora que não passa nunca, no cheiro que fica na roupa, está no barulho do silêncio da madrugada.
Está no abraço não dado, no beijo não provado, na palavra não dita, no gesto não feito. A saudade está na partida e na chegada, está naquele momento inesquecível. Saudade é para todos, saudade é pra quem vai e pra quem fica. 
Está no porta-retrato do lado da cama, na nossa musica preferida, no coração de quem ama. 
Saudade está no joelho ralado, no pega-pega, no desenho animado.  Saudade está na insegurança, no medo,na ingenuidade e na vontade de voltar a ser criança. A saudade é assim, se encontra em todos os lugares, vive em todos os momentos, em todas as pessoas e vive, principalmente, em mim. 
A saudade é assim mesmo não morre e nunca tem fim. 






11.2.14

#Rabiscos: Bring the light


São sete horas da manhã e você já tem aqueles olhos de choro. Olhos de quem não dormiu bem, de quem acordou de duas em duas horas e olhava pro relógio contando quanto tempo de sono ainda tinha.
Os olhos se arrastam junto com você, mais um dia, sem lágrimas você espera, afinal já gastou todas elas na noite anterior.
Faz tempo que você tem esses olhos fundos, os olhos de choro que você escuta nas músicas nunca foram tão claros pra você.
Tanto tempo com eles que você sabe quem ninguém mais percebe, no começo te olhavam torto, você ouvia gente reclamando por você ser mole demais ou por não expor o motivo dos olhos molhados, mas agora eles evitam, e os que olham também estão molhados, as vezes você até acha que eles procuram conforto nos seus, percebem que não são os únicos.
Então você deixa eles olharem as lágrimas escorrerem "se ela não se matou ainda, porque eu tenho que fazer isso?" você torce pra eles pensarem nisso, torce pra que eles procurem conforto mesmo sem palavras, só nos seus olhos fundos, cansados e molhados.
Você continua o dia, as lágrimas secam de tanto que o vento bate na sua cara, a única parte boa do dia. A hora que você coloca a cabeça pra fora da janela e espera que o vento leve alguma coisa, nem que seja uma gota da próxima escuridão.
É uma espera sem fim quando o vento acaba, quando a escuridão chega e te deixa no canto do seu quarto gritando nem que seja por uma faixa de luz.
Começa mais um dia, mais um dia esperando que a luz fique um dia inteiro.


5.2.14

Rabiscos: E agora?





Vivo esperando que a minha vida vire um livro. Não filme, não quero que eu seja resumida em menos de 2 horas, mas sim um livro, um livro que só os interessados vão ler, algo que chame a sua atenção na livraria, algo que precise de dedicação pra chegar até o final.
Mas eu não quero qualquer livro, eu quero aquele livro de aventura, no qual eu sou a garota de quem ninguém espera nada e que dá uma virada durante a história. Aquela garota que vai mudar a pequena cidade, ou só a pequena escola, cheia dos tipos mais arrogantes e desinteressantes. Quero ser a garota na qual a beleza ainda não foi descoberta, e por um corte de cabelo diferente um menino interessante se aproxime. Quero ter a história mais boba de amor, não precisa que esse menino me complete, só preciso que ele me entenda. Quero também suspense, afinal o que é uma aventura sem suspense? É os suspenses são os mais legais, são o que te forçam ir até o fim, são os que te deixam acordados tentando pensar o que vai acontecer. Quero também um drama, um drama sempre é bom, pessoa mais dramática que eu é difícil de achar. Pode ser qualquer drama, mas com um motivo grande, gosto de dramas que envolvem várias pessoas. A parte do drama eu deixaria pro escritor, ele que me surpreenda, ele que me faça querer nunca ter pedido esse drama, que ele seja tão complexo que seja difícil de arrumar.
Mas o principal é que eu não quero um final feliz, não quero terminar com o menino mais popular, com os amigos mais lindos, com a família mais perfeita e rica e com o carro do ano no por-do-sol. Não, eu quero aquele final que te faz querer mais, aquele final que te deixa brava porque o livro não tem mais páginas, quero que termine com uma pergunta, uma pergunta que vai te fazer mandar cartas pro escritor pedindo o volume dois, que vai gerar perguntas e debates com os amigos



21.1.14

#rabiscos: Just go



É como estar em um video game. Todas as possibilidades já foram pensadas. Se você virar para a esquerda no labirinto algo já está lá te esperando, se virar a direita também.
Ela acorda todo dia pensando em algo novo, pensando em como pode mudar a vida, como pode mudar o mundo. 
A cabeça dela muda constantemente de acordo com o último filme que viu. Ela pode ter visto uma comédia romântica e ficar suspirando horas, talvez dias depois. Ou ela pode ver alguma ficção, e depois do filme acabar sair correndo pro quarto elaborar um jeito de como se encaixar naquele filme.
Ela se levanta de cama, e põe o uniforme daquilo que chama de cadeia. Só depois de deixar tudo pronto ela põe a peça mais importante de roupa, os fones. Da play e coloca o celular no bolso do casaco, quanto mais alta a música, mais brava ela ta naquele dia, quanto mais baixa, mais preocupada com as coisas que estão acontecendo.
Ela entra no carro e fica presa por mais horas do que ela pode aguentar, o que faz a sua chegada em casa ser extremamente reconfortante. A casa não é grande, as pessoas não são muitas, mas são o bastante.
Ela corre pro quarto de novo, o quarto é o melhor lugar da casa, ele já ouviu tudo que ela pensa, tudo que ela deseja, e ela agradece todo dia por ele não contar pra ninguém.
Ela não lê um livro, ela não escreve um texto, não compõe uma música, ela não é como essas garotas de filmes de drama que se trancam no quarto e quando saem, saem com algo que fara alguma importância, ela adoraria, mas não. Ela se desliga pra fazer uma mistura de tudo que ela quer, ela dorme, ela sonha...
Ela sonha fazendo as coisas mais banais, andando com um namorado em uma rua movimentada, sendo arrastada pra uma surpresa, ser reconhecida no meio da rua, por um grupo de pessoas que vão gritar o seu nome do outro lado da rua e cruzarão um trânsito digno de medo só para dizer o como ela inspira as pessoas.
Ela sonha cada vez mais, cada dia mais, esperando que enquanto esteja sonhando, algum vento de sorte sopre em sua alma, e a empurre pro melhor sonho que ela teve, a realidade.
Que esse vento a empurre entre os seus filmes românticos, entre suas músicas sobre aquela pessoa que você ama e como você vê ela, que a empurre entre a vida e que ele sussurre em seus ouvidos "está tudo bem, apenas vá". 

                                                           Vicky Paduan

24.12.13

Rabiscos: Então é natal...



Então é natal, e o que eu fiz? Bom, aprendi que nem sempre o mais fácil é o mais legal.
Aprendi que raiva é fraqueza e paciência é força.
Aprendi a não guardar as coisas dentro de mim por muito tempo pois um dia eu posso explodir e isso não seria bom.
Aprendi que o medo anda de mão dada com o fracasso e que o fracasso corre da coragem.
Aprendi a ceder quando não tem outra maneira, mesmo que isso machuque meu orgulho.
Aprendi que eu só preciso de dois amigos, porque só tenho duas mãos para segurar o seguro.
Aprendi que a minha casa é a minha fortaleza, e o pessoal que vive nela sempre vai me proteger.
Aprendi que sempre se deve esperar o pior das pessoas, porque se vier algo de bom, já é lucro.
Aprendi a rir com as coisas mais retardadas, porque os risos mais sinceros são os melhores.
Aprendi que cada momento vale mais do que ouro, e que esse ouro tem um valor diferente pra todo mundo.
Aprendi que não posso sem nem 8 ou 80, tenho sempre que ser meio termo.
Aprendi que nem tudo vai ser como eu quero, e que eu tenho que lidar com isso da melhor forma.

Espero que eu tenha aprendido as coisas certas, as coisas que vão me fazer crescer.
Esse ano se arriscar nunca foi tão bom, nunca me deu tantas coisas, sendo elas materiais ou não.
Esse ano teve seus altos e baixos, mas eu fico feliz em saber que no fundo de todos os baixos, tinha alguém para me ajudar a levantar.

Que venha 2014... I'M F*CKING READY

16.12.13

Rabiscos: Alma de tinta


Qual é mesmo o motivo de escrever? Sinceramente eu não sei, mas cara isso me faz bem.. Escrever tira um peso do meu ombro do qual eu sei que ninguém além de mim mesma consegue tirar, quando estou triste sei exatamente onde descarregar tudo o que estou sentindo, coloco tudo para fora, descarrego tudo nas palavras, transformo minha dor e tristeza em frases e textos. Confesso, os meus textos mais bonitos são aqueles que faço quando meu coração está partido. 
Escrevo porque não costumo me expressar com ninguém, você não irá me ver choramingando por ai em um ombro amigo ou até chorando sozinha em um canto qualquer. Depois de tanto escrever percebi que posso comparar escrever com chorar, pois quando choramos estamos tentando colocar para fora algum sentimento que está nos sufocando, seja bom ou ruim. 
Ta aí, chorar e escrever, a combinação perfeita com a mesma função.
Cada um escolhe a maneira que se identifica mais, eu particularmente prefiro escrever. 
Escrever vai além do que se pode imaginar, escrever é viciante. Escrever é como uma droga, daquelas mais poderosas, mais é uma droga que me faz bem. 
É uma sede incontrolável, quanto mais se escreve mais se quer escrever, acho que é assim com todos que um dia já experimentaram. 
 Escrever é desabafar com aqueles que tem todo o tempo do mundo para me ouvir: meu caderno e minha caneta. É  fazer meus sentimentos se tornarem poesia, é soprar todas as palavras que minha alma já não pode mais guardar. 
 Pode ser que eu ache por ai alguém que escreva melhor, com sentimentos em forma de poesia melhores do que os meus, alguém mais estudado que da um verdadeiro show no seu vocabulário e escrita. Mas quem se importa? Escrever é a minha paixão, não me importo em encontrar alguém por ai que diga que os meus textos não são bons, escrevo pra limpar a minha alma, sou apenas um rascunho de escritor, essa é a minha maneira de desabafar, ou melhor, desabar. 
Enquanto escrever me fizer bem eu continuarei aqui, escrevendo com as minhas palavras singelas, com meus textos confuso, que demostram exatamente como são os meus sentimentos, sem começo meio ou fim.

 Gabs Campos




                                                                                                            
                                                                              




15.8.13

Sobre os meus passos sem você.


 Você voltou para Londres e pude perceber que nessa sua última passagem por aqui não trocamos quase nenhuma palavra, alcançamos o maior tempo sem conversa, desde que nos conhecemos.
Está sendo difícil pra mim, sabe? Antes era apenas a sua ausência física, sempre soubemos não seria fácil ter um oceano nos separando, mas pelo menos eu sabia que você estaria do outro lado da linha.
A distância (física) nunca foi um problema, o que foi que aconteceu com nós? Está tudo muito estranho e fora do lugar.
Achei que quando você disse que queria terminar, eu continuaria com a vida que eu tinha antes de nos esbarrarmos naquela festa: dias normais, com garotos normais. Mas não, você foi embora e deixou uma bagunça gigantesca para eu arrumar aqui sozinha, que covardia. Parece que sem você as coisas não se encaixam mais, fica tudo fora do lugar.
Sem você ai do outro lado só me restou as fotos e os incontáveis registros de nossas conversas. O problema maior são as noites. Na verdade as madrugadas, talvez porque fosse nessa hora em que nós conversávamos mais, ou porque é nessa hora que colocamos a cabeça no travesseiro e pensamos na vida.
As vezes bate aquela saudade que chega a doer, e o pior é não poder te ligar para ouvir a sua voz e te escutar dizer que vai passar, que vai pegar o primeiro voo que tiver só para me abraçar.
Difícil também está sendo as minhas noites de insônia, lembra que você ficava falando comigo até eu pegar no sono? Então, eu também estou sentindo falta disso.
Sinto falta das suas ligações e mensagens inesperadas no meio do dia, que me arrancavam suspiros e sorrisos bobos.
Sinto falta dos meus textos dizendo o quanto é bom ter um amor.Cheguei a pensar até que a felicidade tinha virado rotina, me enganei feio.
Tenho ido bem sem você, quer dizer ninguém morreu, tirando a minha visão sonhadora do mundo e os meus planos para o futuro. Sim estou indo muito bem sem você, até aprendi a mentir.

Gabriela é paulistana, tem 17 anos e é uma libriana ao pé da letra. É viciada em tecnologia - está sempre conectada- e sonha em trabalhar com jornalismo de moda. É extremamente curiosa, gosta sempre de descobrir coisas novas. É uma blogueira de primeira viagem. "Tenho em mim todos os sonhos do mundo".

 
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